Tendências

Verde Greenery

O verde greenery é mais que uma cor escolhida pela Pantone, é um movimento, é o recomeço.

O ultimo ano regido pelo Sol

Foram 36 anos sob o domínio do Sol, o espírito de brilho pessoal, fazendo surgir uma sociedade pautada no egocentrismo, com pessoas necessitadas em marcar a individualidade no mundo. Esse período que permeia nossas consciências teve seu término em 2016. O ano que se passou foi importante justamente por encerrar todo um ciclo planetário. Não cabe a mim falar sobre esse lado detalhado de numerologia e astrologia, mas fica claro que todos finais de ciclo vem acompanhados de grandes perdas, renúncias e situações complexas.

Desde 1981 pudemos ver o individualismo crescer a proporções exponenciais, tanto que as selfies foram o grande símbolo dessa sociedade que foi pautada pelo ego. Meus direitos, minhas escolhas, minha opinião e se você não concorda o problema é todo seu. Tudo parece que girou em volta do indivíduo, com ou sem razão para tal.

O movimento de ruptura desse pensamento se iniciou com a “concretização” da crise. Uma vez vivenciando ela, o fortalecimento da economia criativa, coletivos, e colaborações entre lojas e marcas começou a crescer. O eu passou a ser nós. Aos poucos essa onda de acolhimento com o outro invadiu 2015 e se fortaleceu em 2016, já dando a deixa para o que acontecerá nos próximos anos.

 

O ano de ressignificações

Agora, em 2017, chegou Saturno para começar a colocar os limites dessa sociedade que se alimenta de likes e selfies. Veremos um movimento radicalmente oposto às características solares diluindo assim o ego. Menos ego e mais responsabilidade. Menos ter, mais ser. Menos é mais. A falsa felicidade das redes sociais, de ser o cara, de ter várias curtidas e visualizações vai dar lugar para a seriedade, competência e profundidade no que se fala\sente\vive. A fama e destaque não bastará comprando seguidores, terá que se trabalhar muito.

Acha difícil de acontecer? Mas as evidências já estão aí para provar que sim, o zeitgeist é de limites e amadurecimento. É claro que a “egoidolatria” não deixará de existir, porém, como buscamos cada vez mais sentido nas coisas que consumimos, seguir alguém por seguir não fará mais sentido.

 

Evidências:

1 – #NoLikesNeeded

Em outubro de 2015, a marca Dove criou uma campanha intitulada “No Likes Needed” para ajudar mulheres a desenvolver a sua autoestima. Esta campanha mostrou a jovens que não é necessário obter “likes” numa rede social para se sentirem bonitas e bem consigo próprias. Para além do interesse em vender seus produtos de beleza a Dove afasta o individualismo dela enquanto marca em vender seus produtos de beleza, focando-se em questões sociais que afetam um grande número de jovens mulheres, causadas pela alta exposição dos padrões de beleza impostos e que as redes sociais reforçam.

2 – Essena O’Neill

Em 2015, uma instablogger Essena O’Neill desistiu da plataforma com mais de meio milhão de seguidores, alegando que as redes sociais não são refletem a realidade de nossas vidas. Em outubro, do mesmo ano, ela excluiu mais de 2.000 fotos “que não serviram a nenhum propósito real além da autopromoção”, e reescreveu a realidade por detrás de cada foto nas legendas para as 96 fotos restantes.

3 – Crowdfounding

Por volta de 2011 começaram os burburinhos em torno das vaquinhas virtuais. O crowdfunding é um tipo de financiamento coletivo onde uma pessoa propõe um projeto e outras pessoas podem contribuir financeiramente para que ele saia do papel. Em 2014 esse modelo de financiamento tomou força no Brasil e segundo a Kickante o crowdfunding, ao redor do mundo, ganha cada vez mais espaço e mostra que chegou para ficar. Em 2012, o financiamento coletivo arrecadou US$ 2,8 bilhões em todo o mundo. E voltou a bater recorde de faturamento em 2013, com mais de US$ 6 bilhões em contribuições. Baseado na economia colaborativa, tem como fundamento a premissa de que juntos todos podem conquistar seus objetivos.

4 – Economia colaborativa

Segundo uma pesquisa realizada pela consultoria Nielsen em 2013, 70% das pessoas na América Latina estariam dispostas a participar de serviços de compartilhamento, contra 52% na América do Norte. E a previsão de Jeremy Rifkin em seu livro Sociedade com Custo Marginal Zero lançado em 2015 foi a de que o capitalismo perderá a dominância e dará lugar à economia colaborativa em meados do século 21.

A economia colaborativa, também conhecida como economia compartilhada, é uma forma de usar a tecnologia para fazer negócios entre pessoas podendo economizar, promover a sustentabilidade e de quebra renovar a sua fé na humanidade.

Redes sociais, crowdfunding, Uber, Airbnb, Enjoei, DogHero são ferramentas que te ajudam a ganhar uma graninha extra e que ajudam o outro a economizar. A economia colaborativa não é o futuro, ela é o presente. A mudança já começou e você nem percebeu, né?

 

Greenery, o verde revitalizante da Pantone

Como cor do ano a Pantone escolheu o verde Greenery, símbolo de um novo começo, do frescor que sentimos nos primeiros dias de primavera, quando a natureza está revivendo, brotando, florindo, se restaurando e renovando. O Greenery é aquele verdinho que nos remete ao ar livre, parques, florestas; é a esperança de um mundo mais verde, menos poluído, mais consciente, menos consumista.

Mais do que reciclar, o Greenary é representação da consciência de que os recursos naturais são finitos, estão terminando e por isso temos que experimentar um estilo de vida sustentável.

Devido a grave crise econômica que se passa em todo o mundo, o consumidor procura poupar dinheiro e recursos, reaproveitando peças de vestuário ou materiais recicláveis; procuram cada vez mais produzir hortas próprias no quintal ou no play do condomínio.

 

E em paralelo, um símbolo que se tornou muito comum em meados de 2016 ficará por mais um ano também. Os cactos. Coincidência ou não, os cactos farão e estão presentes em 2017, fortalecendo o Greenary.

Em algumas vertentes do feng shui, cactos são considerados grandes guardiões da casa e purificadores do ambiente. São plantas do “Novo Mundo”, e as espécies são as únicas que resistem a muita seca. Acredita-se também que os espinhos simbolizam a proteção contra visitantes inesperados ou perigosos e pode ensinar a lidar com os próprios limites. Ter cactos por perto é um lembrete de vitalidade, persistência e integração com tudo o que está a nossa volta. E as flores representam a beleza escondida na simplicidade de uma planta aparentemente perigosa.

Os espinhos dos cactos podem simbolizar o momento de crise que o mundo vive. 2017 é um ano “cacto”, espinhento, perigoso, cheio de limitações e precauções. Mas por serem plantas do “Novo Mundo” que ensinam a lidar com limites e persistência, o ano poderá ter sua revira volta, um recomeço, afinal cactos são espinhentos mas também podem dar flores.verde, cactos e esperança de um novo começo.

Fotos por Mariana Teles